quarta-feira, 16 de março de 2016

Feliz Aniversário, Célia Laborne Tavares...



Minha Menina Poetisa Amada das Estrelas Geraes...
Célia...
Feliz Aniversário junto ao Lótus
nesse destino suave de e-ternurada Luz...

Gratidão, Paz e Alegria
na sua data querida...
hoje e sempre...
em nossas flores na hora azul da entrega...

Um beijo de Amor em suas mãos...
que vamos juntos no Barco do Destino...

Saudades...

Leo Nogueira Paqonawta

...

JUNTO AO LOTUS

Célia Laborne Tavares

A música suave pode prenunciar o campo próprio do amoroso encontro, onde tudo se faz centro vivo das origens de cada um.

Harmoniosamente, como flor, o mundo germina sua grandeza nessa noite que precede o ainda indecifrável amanhecer. Sintoniza-te com este ritmo para que cresças também. No compassado e vagaroso desabrochar há toda a história da plenitude universal. O abrir da planta nova transcende luz como destino próprio.

Agora que o tempo é propício e nossa doação está amadurecida, junto ao Lotus que se abre, vemos que as palavras são restritas e o dia está sob o controle dinâmico da próxima alvorada. O canto de louvor é nossa mais pálida homenagem no caminho desobstruído e já assinalado.

Vamos, então, construir um mundo novo com aquelas horas antigas, que facilmente poderão ser recriadas, tal a plenitude que guardam. Vamos doar, aqui, nosso velho amor.

A noite de ternura será o marco inicial dessa distribuição aos carentes do amor. Agora, cada palavra vai se transformar em poema e cada carinho será leve companheiro. Aquelas nossas rosas vão adornar mil portas silenciosas e esquecidas.

Nos passos que nos chegam, marcaremos todos os encontros que ficaram apagados e ausentes, na penumbra do passado incompleto.

Nossa vivência de amor ganha, hoje, nova dimensão, pois está sendo livremente repartida à mil necessitados para ser mil vezes revivida. Tão crescidos já estão nossos testemunhos de presença e de doçura que poderemos ser pródigos em distribuí-las.

Tão fiéis foram nossas palavras e promessas que doaremos ao mundo, intacto ainda, todo um canto de vida; como se dele pudessem frutificar outros cantos semelhantes e outras plenitudes iluminadas.

Vamos sentar-nos, amorosamente, à beira do lago quieto e aguardar os pedintes. Nossos jardins transbordam e, por mais que distribuamos este amor, sempre sobrará ternura na hora azul da entrega.

Ajuda-me com tuas mãos a presentear tantas ofertas.

- Que destino mais belo poderíamos ter dado ao nosso velho e incomensurável amor?

Ante o amadurecimento de nossa resolução, um Lotus branco se abrirá porque o tempo é de belezas insuperáveis.

- Que destino mais suave poderíamos encontrar para o nosso doce e contagiante amor?

In "O Quinto Lótus"
Edição da autora

quinta-feira, 3 de março de 2016

Para minha amada Menina Célia Laborne Tavares...


Para minha amada Menina Célia,
que é o próprio Lótus desabrochado,
um poema do querido Tagore a te inspirar este dia...
Um beijo saudoso em suas mãos.

Leo

Flor de Lótus

Rabindranath Tagore 

No dia em que a flor de lótus desabrochou
A minha mente vagava, e eu não a percebi.

Minha cesta estava vazia e a flor ficou esquecida.

Somente agora e novamente, uma tristeza caiu sobre mim.

Acordei do meu sonho sentindo o doce rastro
 De um perfume no vento sul.

Essa vaga doçura fez o meu coração doer de saudade.

Pareceu-me ser o sopro ardente no verão, procurando completar-se.

Eu não sabia então que a flor estava tão perto de mim
Que ela era minha, e que essa perfeita doçura
Tinha desabrochado no fundo do meu coração.

...

A ilustração, feita por Leo Nogueira Paqonawta, é uma montagem com fotografia de quadro do acervo pessoal da poetisa pintado por Guignard, representando Célia. Foi presenteado a ela que foi sua aluna em Belo Horizonte. Ao fundo temos a constelação do Cruzeiro do Sul.

domingo, 18 de outubro de 2015

Dos direitos radicais das crianças


Dos direitos radicais das crianças

Ligia Moreiras Sena

Toda criança tem direito de explorar livremente o ambiente onde vive.

De interagir com o ambiente natural.

De experimentar novas sensações e afetos.

De admirar o mundo.

De ser estimulada a respeitar todas as formas de vida.

De se sentir parte delas.

De sentir cheiro de flor, de água, de riacho, de comida fresquinha, de casa limpa.

Toda criança merece expandir seus horizontes e seu olhar.

Conhecer outras formas de viver e outros hábitos de vida.

Toda criança precisa ser levada em consideração nas tomadas de decisões familiares.

Toda criança merece ser incluída ativamente nos programas da família, não como uma “bagagem” que se carrega secundariamente, mas como parte que influencia a escolha.

Toda criança merece e tem direito de interagir com outras crianças, principalmente com aquelas que vivem de maneira diferente delas próprias, uma vez que isso constrói o respeito e a equidade.

Toda criança merece receber uma educação livre de preconceitos e discriminações de qualquer tipo.

Merece saber que amor não escolhe sexo, cor, classe social, etnia, nacionalidade.

Toda criança merece passar menos tempo em frente à TV e mais tempo junto à natureza.

Toda criança tem direito de saber de onde vêm seus alimentos e de conhecer aqueles que realmente lhe são bons.

Tem direito de saber se aquilo que está sendo oferecido a ela é realmente saudável, é realmente benéfico, fará realmente bem, ou é apenas reflexo do despreparo de quem oferece.

Toda criança merece ter seus medos compreendidos e acolhidos, nunca ridicularizados, nunca menosprezados, nunca ignorados.

Toda criança precisa sentir-se parte do todo, influenciada por ele e o influenciando.

Precisa ser respeitada como ser integral e a ela ser oferecido o que de melhor houver diante das possibilidades de cada contexto.

Todo choro de criança precisa ser acolhido e compreendido, jamais ignorado, jamais minimizado.

Toda criança precisa ser protegida contra todas as formas de alienação. 

Ao mesmo tempo em que precisa e merece ser protegida contra todo tipo de violência, a fim de que aprenda que um mundo cordial é possível e que violência é retroalimentada.

Toda criança merece ser protegida contra riscos desnecessários ou situações que representem perigo, qualquer que seja ele.

Toda criança merece não ser medicada por qualquer bobagem. Merece ter sua saúde e integridade física respeitada. Merece viver longe de drogas ativamente oferecidas por seus cuidadores sem que exista real e indiscutível necessidade.

Precisa saber que sempre haverá quem a ajude, quem a proteja, quem lute por ela.

Acima de tudo, toda criança merece ser olhada como uma semente já germinada, porém sedenta daquilo que a fará grande, forte e viçosa, e nutrida com o mais puro amor e disponibilidade.

Nenhuma criança é ônus.

Nenhuma criança é empecilho.

Nenhuma criança é dispendiosa.

Se uma criança assim estiver sendo vista, o problema está em quem assim a vê.

Tudo isso parece demasiadamente óbvio. Mas infelizmente não é. Se assim fosse, não nos depararíamos repetidas vezes com situações que simplesmente ignoram o bem-estar da criança, ou o minimizam, ou o preterem em função do mundo adulto e suas pseudonecessidades.

É preciso lembrar repetidas vezes que crianças têm direitos fundamentais que precisam ser respeitados e que vão muito além dos enumerados na Declaração dos Direitos da Criança.

Direitos que passam por mais sensibilidade, por mais acolhimento, por mais afeto, mais entendimento, mais entrega e acesso, mais verdade, mais sinceridade, menos subterfúgios e desculpas as mais variadas.

Crianças não são extensões de seus pais.

Crianças não são propriedades deles.

Crianças não são receptáculos vazios onde inseriremos todo nosso despreparo.

São novos seres.

Que merecem um mundo novo.

Ou uma nova forma de viver neste velho mundo.

Uma forma que valorize o sentido básico da infância, sua essência mais profunda e indivisível, sua raiz primordial.

Uma forma que é, por seu mais profundo significado, radical: que diz respeito a raízes, a princípios, a essências.

Em um mundo de moderações e contemporizações, onde ser complacente com a violência é visto como ser "moderado", onde aceitar uma palmada, um xingamento, é visto como ser "tolerante" com diferentes formas de cuidado parental, em um mundo como esse, o que as crianças precisam é de um olhar mais radical sobre elas.

Um olhar radicalmente contra a violência.

Radicalmente contra a negligência.

Radicalmente contra o abandono.

Um olhar que busque a verdadeira raiz de ser criança.

Se é esse é o seu olhar, saiba que você não está só: a radical que mora em mim saúda a radical que mora em você.

"Radical" não é uma ofensa e "ser radical" não é um desvalor.

Embora, em um mundo de "moderados", as pessoas se esforcem tanto para que pareça ser...

E é sempre bom lembrar: quem não é radicalmente contra a violência à criança é, também, seu cúmplice.

Reproduzido de Cientista que virou mãe
06 mar2014

Sobre a autora

Bióloga, mestre em psicobiologia, doutora em farmacologia, área que deixei após me tornar mãe. Estimulada pela maternidade, mudei de área, de foco e de vida, e hoje faço um novo doutorado, agora em Saúde Coletiva. Sou pesquisadora da assistência ao parto no Brasil, da violência obstétrica e da medicalização da infância e do corpo feminino. Sou mãe da Clara e esse é o mais relevante dos meus títulos, pois foi ele quem me modificou verdadeiramente. Ela me inspira, todos os dias, a olhar a vida e os seres humanos por outro prisma, a lutar pelos direitos das mulheres e a conectar pessoas que buscam criar seus filhos de maneira afetuosa e não violenta.

Texto completo sobre a autora clicando aqui.



Leia também a "Declaração de Amor aos Direitos das Crianças", por Leo Nogueira Paqonawta, clicando aqui.

sábado, 16 de maio de 2015

Cançãozinha para Tagore


Cançãozinha para Tagore
Cecília Meireles

Àquele lado do tempo
onde abre a rosa da aurora,
chegaremos de mãos dadas,
cantando canções de roda
com palavras encantadas.
Para além de hoje e de outrora,
veremos os Reis ocultos
senhores da vida toda,
em cuja etérea Cidade
fomos lágrima e saudade
por seus nomes e seus vultos.

Àquele lado do tempo
onde abre a rosa da aurora
e onde mais do que a ventura
a dor é perfeita e pura,
chegaremos de mãos dadas.

Chegaremos de mãos dadas,
Tagore, ao divino mundo
em que o amor eterno mora
e onde a alma é o sonho profundo
da rosa dentro da aurora.

Chegaremos de mãos dadas
cantando canções de roda.
E então nossa vida toda
será das coisas amadas.


...

Poemas Escritos na Índia, 1953
MEIRELES, Cecília. Poesia Completa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001, p. xxii-lix. (1953, p. 1023)

Veja também artigo de Cyelle Carmem Vasconcelos Pereira, em Recanto das Letras

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Homens, Mulheres e "Crianças" no "pálido ponto azul"



Nessa sociedade em que vamos quase todos mais ou menos enredados pela Internet nos lares, escolas, ruas, e também incapazes de compreendermos o que se passa além de um palmo de nossos narizes, o filme retrata cenas do cotidiano e interesses dos personagens em uma comunidade norte-americana - homens, mulheres e crianças - entre seus desejos, sonhos não realizados e decepções na "sociedade de consumo" e das mídias digitais.

Parece-me que, de imediato, quase ninguém consegue perceber o que realmente se passa no interior do outro (e muito mal na vida cotidiana de ser criança e aluno), seja na vida em família, na escola ou nos outros cenários de nossas relações humanas, na "Vida Real" como se diz no filme.

Os dramas vão se desenvolvendo e provocando ações e reações a estimularem os personagens a tomarem suas decisões.

Ressalto da incapacidade daqueles que se fizeram de pais ou professores (des-orientados) a orientarem as crianças, sem absolutamente querer realmente saber, ou como des-cobrir que se passa na mente e coração de seus filhos/alunos. Até que pelas ações das próprias crianças é que parecem conseguir refletir alguma coisa, e entrar em "comunicação" com elas e seus pares adultos.

E, na escola, quem é que como professor consegue ajudar as crianças a lidarem com suas interrogações, para aquém ou além das tarefas inadiáveis do ensinar/aprender?

Pais e professores, lares e escolas colaboram (ou não) para a formação do caráter das crianças?

Imersos no mundo do mercado, e daquilo que nos é imposto para o consumo, nós nos consumimos entre dores e amores, esquecendo das possibilidades de apenas nos doarmos mais ao próximo...

E, no meio dessa vastidão do espaço com todas as suas possibilidades de manifestação da vida, quem somos nós com nossos pequenos, insignificantes ou grandes problemas e dramas, a vivermos nesse único "lar" que conhecemos - o planeta Terra - retratado como um pequeno e "pálido ponto azul" pela sonda Voyager? O "poema" de Carl Sagan citado no filme nos instiga a refletir mais sobre quem somos, de onde viemos e para onde vamos...

Fica aí a dica de Pedro Junior Silva para assistirmos e refletirmos...

Leo Nogueira Paqonawta

Publicado em Facebook
26 jan 2015

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Célia Laborne, artista múltipla


Célia Laborne, artista múltipla

Conheci Célia Laborne desde criança, quando da criação do Minas Tênis Clube. Célia morava em frente, era nadadora oficial do Minas, conquistando ali várias medalhas.

Aquela coragem de se jogar nas águas da piscina, percorrer espaços, conquistar prêmios, não era para qualquer adolescente da época. Lembro-me de ficar sentada na arquibancada, torcendo por aquela nadadora mirim que, aos 12 anos de idade, conquistava troféus.

Mais tarde fui encontrar Célia na Escola de Belas Artes Guignard, onde ela se inscreveu na primeira turma. Célia era muito sensível, desenhava flores e paisagens do parque e dava preferência às aguadas transparentes. O elemento água preponderava em seus trabalhos muito elogiados pelo mestre Guignard.

Transparência, sensibilidade, observação da natureza, das árvores, dos céus de Minas. As aquarelas e o desenho de linha com lápis duro, estimulados pelo mestre, caminharam juntos com outra forma de expressão da artista, a palavra escrita e falada. Surgiram versos espontâneos, líricos. O lirismo próprio de nossas montanhas, transbordava nos versos e nas cores, conjugando as duas formas de arte numa só inspiração.

Célia guardava os versos, que lhe vieram muito antes da pintura, desde os 13 anos de idade. Eram seus, o seu colóquio com os níveis mais profundos de consciência, uma abertura para o campo imensurável da poesia. Seus poemas surgiram da necessidade de expressão de uma jovem de Minas Gerais que, das montanhas lançava o seu canto.
Ser artista é um caminho neste planeta, um caminho de abertura de consciência, um diálogo com Deus.

Seus textos espiritualistas despertaram a atenção de pessoas ligadas à mesma sensibilidade, muitas vezes residindo em lugares distantes. Foi do Oriente que ela assimilou a profundidade dos pensamentos filosóficos e poéticos.

Célia foi cronista de vários periódicos da cidade de Belo Horizonte e sua coluna ficou conhecida através do jornal “Estado de Minas”, onde ela ocupava o espaço denominado “Vida Integral”. Célia foi a primeira e quase única jornalista que divulgou as filosofias orientais e as técnicas de meditação, relaxamento e a importância da respiração. Seus seguidores são múltiplos, e sua mensagem transpôs as fronteiras de Minas, para alcançar outros espaços mais amplos. Atravessou os mares, foi bem recebida em Portugal, na Europa e nos Estados Unidos. Em Florianópolis eles se transformaram em vídeo, através da iniciativa de um seguidor.

A mensagem de Célia é poética e espiritual, e penetra num espaço pouco explorado pelos poetas modernistas. Situa-se numa linha bem própria, estudando mestres de Yoga tais como Vivekananda, o primeiro a introduzir a Yoga no mundo ocidental. Sua mensagem é ecumênica, abrange religiões, filosofia e as ciências mais modernas tais como a física quântica. Ela partiu do estudo mais denso para os mais sutis.

Seu universo está situado em níveis mais altos de consciência, naquele espaço onde a palavra toca a alma das pessoas para ajuda-las a transcender o cotidiano.

O cotidiano é importante, mas existe um espaço além, onde muitas vezes a palavra não consegue penetrar.

Os textos de Célia nos conduzem para este espaço além do noticiário dos jornais. Célia é jornalista e poeta e continua divulgando suas mensagens através de seu blog “Vida em Plenitude”.

Ali a palavra é o toque mágico que nos conduz ao infinito, para uma dimensão transcendente, além da Terra.

Todos nós devemos um pouco a esta mensageira da paz e da harmonia entre os seres vivos.

Maria Helena Andrés


06 jan 2015

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segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Comentário sobre a polititica aqui e acolá...


Comentário sobre a polititica aqui e acolá...

Às vezes, penso que as coisas só melhorarão um pouquinho nesse mundo se um asteroide trombar com o planeta, e a vida recomeçar a evolução das baratas, ratos, lagartixas, sapos, pulgas e outros vermes. Esses seres que hoje achamos tão repulsivos são muito mais gente e humanos que a maioria de nós, que vamos perdidos nos labirintos de elucubrações.

De um outro ponto de vista espiritual, somos responsáveis por aquilo que escolhemos individual ou coletivamente. Nesse tempo pré-caótico de des-humanização e des-valorização de nossa humanidade enquanto chispa de luz, é o povo da raspa do tacho dos "dragões" que querem acabar com tudo, destruir, botar fogo em qualquer plantinha nova que brote do chão das asperezas humanas para o sol maior.

Aquele "jardim" perdido, agora, deve ser mais que nunca cultivado dentro de nós que cremos termos despertado para outras realidades da vida. E, cada flor, perfume, fruto ou semente de vida nova de nossos pensamentos e sentimentos devem ser ofertados na com-partilhação de gestos de amor nas simplicidades da vida.

Tentar sensibilizar os que se fazem surdos, cegos e mudos das bonitezas da vida fraterna é tarefa para outros milhares de milhões de anos. Mas, ainda assim aquele Menino de pés, mãos e peito machucados não perde as esperanças, e se vale de nossa colaboração como oportunidade preciosa para abraçarmos o mais próximo de nós, no lar, no trabalho, no banco ao lado dos ônibus, nas calçadas e ruas a fim de seguirmos em direção àqueles portões dourados esquecidos.

Dia após dia, cada passo que damos no próprio caminho, cada mão que estendemos ao outro é como um tijolo a mais na construção de um reino amoroso em nossos corações e ao redor de nós que Lhe seguimos nos mesmos caminhos, ou temos a coragem de afagar com carinho mesmo aqueles incapazes de um mínimo gesto de solidariedade.

Essa caminhada de um passo pra frente e dois pra trás é cansativa e penosa. Mesmo assim escolhemos estar aqui, agora, como quem mal tateia na escuridão dessa noite que parece não ter fim, para levar de mãos dadas conosco os que amamos ou des-amamos madrugada adentro, até um outro dia amanhecer.

Vamos que vamos! Ainda que o barulho ensurdecedor de bombas e gritos encham os ares, já ouvimos passarinhos anunciando a alvorada que chega. Então, vamos re-partir pão e palavras de conforto aos que estão quase sem forças, aos esmagados pelo peso de todas as opressões, que a carruagem de luz traz o sol que iluminará tudo e a todos.

Um outro ciclo - era de amor - está chegando para quem não se entregou tão facilmente, e nem se consumiu em vão ao sopro ardido das maldades dos infelizes.

Os passarinhos cantam mais forte que somos Fênix, e re-nasceremos das cinzas para fertilizar os campos novos do Jardim onde está a Árvore da Vida...

Vamos?

Leo Nogueira Paqonawta